Autobol um esporte carioca ! - nem com o pé, nem com a mão: é com o carro !

Por Bob Sharp

A idéia e a iniciativa do Autobol partiu de um médico, o Dr. Mário Marques Tourinho. Muito ligado ao futebol profissional, era diretor do serviço médico do América Football Clube, do Rio — um dos mais antigos do Brasil, constituído em 18 de setembro de 1904, portanto centenário.

No final dos anos 1960, o Dr. Tourinho, um admirador do automobilismo, fazia parte da Associação Carioca de Volantes de Competição, como médico da entidade. Era natural o seu envolvimento com corridas e pilotos. Era amigo de todos e sua presença no Autódromo de Jacarepaguá era constante. Fui presidente da Associação um tempo, o Norman Casari, outro.

Um dia ele saiu com a idéia do autobol e ficamos meio cépticos, mas incentivamo-o a tocar a idéia adiante. E assim foi, ele conseguiu convencer os principais clubes de futebol a abraçarem a idéia. Formaram-se as equipes (quatro carros) do Flamengo, Vasco, Fluminense e América.. Os jogos eram realizados principalmente no campo do América, cujo gramado estava destruído e aguardava reforma e no Campo do Colégio Santo Inácio, ,em Botafogo. Acho que houveram jogos — um autêntico Campeonato Carioca de Autobol — durante um ou dois anos

Os carros tentavam acertar uma bola de 1,20 metro e 12 quilos em gols oficiais de futebol, que mede 7 x 2,3 metros. Usava-se muito o Dauphine que, além de barato — os primeiros haviam surgido em 1959 — tinha a vantagem do câmbio de três marchas, com a ré e a primeira no mesmo canal, o que facilitava as necessárias e sucessivas manobras.

Joguei algumas vezes pelo Vasco da Gama, não sei  por que, pois o meu time do coração no Rio é o Flamengo. O jogo era muito divertido e representava a síntese de duas paixões brasileiras: futebol e automobilismo. Curioso era na época ainda não termos campeão mundial de Fórmula 1, o que só iria ocorrer em 1972, com o Emerson Fittipaldi.

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