Circuitos de Rua do Rio de Janeiro - Ilha do Fundão e Barra da Tijuca - 1964 e 1965 Os primeiros circuitos do Rio, como o da "Ilha do Fundão" - onde Emerson estreou; o "Circuito de Petrópolis"; as "Provas Almirante Tamandaré", no "Circuito da Barra da Tijuca" - desenho abaixo - que compreendia a Praça do Ó (Praça São Perpétuo), Avenida Armando Lombardi, Avenida Sernambetiba, Avenida Olegário Maciel e a Praça da Igreja (Praça Euvaldo Lodi), onde depois, foi transferido para o novíssimo "Autódromo de Jacarepaguá", hoje defunto, graças ao nosso "Queridíssimo" Prefeito César Maia.
A Barra da Tijuca numa época que pouca gente conhecia ...
A largada era na Avenida Armando Lombardi quase em frente à Igreja São Francisco de Paula, dali os carros entravam na Avenida Rodolfo de Amoedo onde chegavam na famosa “Jesus está chamando” na praça do Ó - hoje Praça São Perpétuo - e logo depois ainda na praça o famoso S e o "relevé" e entravam na praia pela Avenida Sernambetiba, onde chegavam a maior velocidade, até fazerem a curva do "Sobre as Ondas", ou "do Bob’s", ou "da Esso" - essa tinha várias denominações - e entravam na Avenida Olegário Maciel - calçada de paralelepípedos - até chegarem novamente no início. O parceiro Paulo Ary Polonia, nos informou que ao fim da reta da Avenida Olegário Maciel, o contorno da praça Euvaldo Lodi (hoje Praça da igreja), era feito pela esquerda, ao contrário do sentido normal.
Pista da Cidade Universitária -- Ilha do Fundão
Sérgio Peixoto de Castro -- vencedor absoluto da prova de 1965
Sérgio Peixoto de Castro entrando na Curva, com Carlos Erimá atrás
Carlos Erimá, os irmãos Heitor e Sérgio Peixoto de Castro, e Sérgio recebendo o beijo da esposa Maruska antes do triunfo CORRIDAS NO "CIRCUITO DA BARRA DA TIJUCA" - 500 Kilometros da Guanabara E o possante Andre Decourt, autor e tutor do excelente fotolog "Foi um Rio que Passou" www.fotolog.com/andredecourt - que em breve vira site no www.rioquepassou.com.br - apareceu para colaborar com quatro fotos da inauguração do "Circuito da Barra da Tijuca", o primeiro e em breve "último" circuito de rua dos Cariocas, pois, pelo visto, correr no Rio de Janeiro só novamente na rua com quando a Cidade tiver um Prefeito que possua cultura automotiva. O novo circuito foi construído na remota Barra da Tijuca quando o Circuito da Gávea e seu "Trampolim do Diabo" começou a ficar inviável e foi obra do antigo DER-DF, que asfaltou algumas ruas do loteamento, retificou curvas e fez um circuito, que para os padrões de hoje é completamente insano.
Placa das obras de pavimentação do Circuito da Barra da Tijuca, feita pela construtora Dias e Paz S.A.
Aspecto do público na corrida inaugural, possivelmente na Avenida Rodolfo de Amoedo
O Piloto Chico Landi na Largada da corrida inaugural do "Circuito da Barra da Tijuca" - 1957
Um Ford Fairlane deslizando no contorno do "relevê" do "S" da Praça do Ó... tendo ao fundo o "Bar-Boite Flamingo", na esquina com a Avenida Sernambetiba ...
As fotos foram escaneadas de um raro livro: uma edição de 1958 feita pelo próprio Distrito Federal para comemorar os 10 anos do DER-DF, e, apesar da qualidade das imagens de todo o livro ser bem sofrível, pois a impressão é ruim - embora o papel seja de primeira qualidade - o livro está desde novo na família de Andre, pois sua tia-avó era secretária da diretoria desde a fundação do DER, até se aposentar nos anos 90... O autódromo dos anos 60 era no começo da Barra e no meio da rua ! Lembro como se fosse hoje, o dia em que vim, com um grupo de amigos de Ipanema, assistir ao Grande Prêmio Almirante Tamandaré, prova automobilística que iria acontecer no autódromo da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
O "Monstro Vermelho" Perereca e o Simca Abarth na Rua Rodolfo de Amoedo, preparando-se para entrar na Curva 1 "Jesus está chamando", indo para a "Praça do O" Os mais novos, naturalmente, irão questionar: que "autódromo" era este? Para os veteranos como eu é fácil reconhecer o percurso do circuito: A largada era na Avenida Armando Lombardi, próximo à Igreja São Francisco de Paula. Os carros entravam na Rua Rodolfo de Amoedo, chegando à "curva do S" -- na Praça do Ó -- em frente à atual "Churrascaria Tourão", seguiam até a Avenida Sernambetiba, onde os carros alcançavam a maior velocidade da prova, pois era o famoso "retão da praia", em seguida vinha a famosa curva do Restaurante "Sobre as Ondas" -- na Avenida Olegário Maciel -- esquina com a praia, onde do outro lado fica o Bob´s -- local de inúmeras capotagens; contornava-se a Igreja e estava fechado o percurso!
Detalhe do "S" na "Praça do O" e do anúncio do Clube Canaveral, em construção na época Quem estava na pista? A elite do automobilismo brasileiro. De São Paulo, Chico Landi com seu Porsche, Piero Gancia com sua Carretera Maseratti ou Corvette, Emerson e seu irmão Wilson Fittippaldi com seu Fiat Abarth, a Equipe Willys com suas Berlinetas Interlagos, liderada pelo inesquecível Luiz Pereira Bueno, Cyro Caires liderando a equipe Simca, Bird Clemente e tantos outros pilotos avulsos.
O Simca Abarth de "Toco" na saída da curva do "S" e Cyro Caires pilotando o Pereca -- o "monstro vermelho"
Pelo Rio corriam: Norman Casari com seu DKW-Vemag, Lair de Carvalho com seus Alfa Romeo, Fernando "Feiticeiro" com seus Renault Gordini, Gino Bianco com seu Alfeta, e mais: Ricardo Achcar, Bob Sharp, os irmãos Vilarinho com seus Fuscas preparados por verdadeiros magos da mecânica.
Marinho e Moco colados ao completarem a curva do "S" As emoções eram inúmeras. Teve piloto que, além de capotar com o carro, foi parar na areia da praia ou dentro da Praça do Ó, pela precariedade do piso do autódromo -- vale a pena mencionar que a Avenida Olegário Maciel era de paralelepípedos. Na época, estes pilotos considerados "loucos" por muitos, fizeram os primórdios do automobilismo brasileiro.
O DKW Malzoni de Marinho e Chico Lameirão na curva 1 Destaque para três deles: Chico Landi, inúmeras vezes campeão brasileiro e sul-americano, Luiz Pereira Bueno, que chegou à Fórmula 1, e Emerson Fittipaldi, campeão na Fórmula 1 e na Fórmula lndy.
Cacaio pilotando seu Porsche chamou a atenção da Willys, que o contratou!
Francisco Lameirão no Malzoni 11 -- sem vidro de pára-brisa-- no Grande Prêmio IV Centenário da Guanabara Circuito da Barra da Tijuca -- em 19 de setembro de 1965
Clique aquí para assistir a corrida do "Circuito da Barra da Tijuca" em 1964, vencida por Chico Landi, que estreava o Karmann-Ghia/Porsche da RAMPSON, futura DACON...
"Circuito da Barra" passando na Avenida Olegário Maciel - fotos do Roberto - mais conhecido como `rockrj` ...
O Karmann-Ghia/Porsche da RAMPSON pilotado por Chico Landi e o Malzoni DKW "na cola", saindo da Avenida Sernambetiba e entrando na Avenida Olegário Maciel...
O Porsche do Cacaio antes de ser ultrapassado pelo Malzoni
Notem que o Circuito da Barra era na esquina da Avenida Sernambetiba com a Praça do O, em frente ao antigo Restaurante-Boite Flamingo...
Paulo Goulart, da Dacon, trouxe de São Paulo seu primeiro Karmann-Ghia-Porsche com motor Porsche 1600 tipo SC de 95 hp´s, que foi pilotado por Chico Landi e venceu a corrida em 1964.... aquí passando em frente à Igreja, no Canal de Marapendi na Barra da Tijuca.
Paulo Goulart, da Dacon, contava que, em testes, notou-se que o Karmann-Ghia com motor Porsche atingia 190 km/h em velocidade de cruzeiro. Por outro lado, acreditava-se que deveria apresentar excelente resistência nas pistas, devido à sua robustez. Mas naquela época ninguém tinha cogitado de corridas. “Foi em julho de 1964 que a idéia surgiu. Encontrava-me na Guanabara, às vésperas de uma corrida da Barra da Tijuca, quando Chico Landi insistiu comigo para inscrever o meu protótipo, assegurando que teríamos boas possibilidades. Trouxemos o carro de São Paulo e Chico o pilotou, tirando o primeiro lugar e vencendo os Malzonis, Alfas Giulias e Berlinetas Willys !
O Willys Alpine 110 entrando na Avenida Olegário Maciel, esquina com a Avenida Sernambetiba no. 760, em frente ao Restaurante Nau Catarineta...
Luiz Pereira Bueno sobreesterçando sua Berlineta Willys na esquina da Avenida Sernambetiba com a Rua Olegário Maciel nos 500 Km da Barra da Tijuca - 1965
Marinho de Prototipo Malzoni e Wilsinho de Berlineta - 500Km. GB 1964
Alfa Giulia sem passagem - 500 Km. GB - 1964
Duas Berlinetas perfeitamente alinhadas - 500 Km. da GB 1964
Marinho com o "Malzoni Protótipo" nos 500 Km Guanabara - 1964
Guard-Rail "humano" da Barra e o Simca abrindo por fora para ultrapassar o JK, nos 500 Km da GB - 1964
500 Km - Barra da Tijuca 1965 - Jorge Lettry ao lado de Otto Kutner, descobrindo que o defeito era o fio do conta-giros...
500 Km - Barra da Tijuca 1965 - soldando o radiador - atrás estão Marinho, Anisio e Norman - Parte publicada originalmente no site: www.almacarioca.com.br e nas revistas Autoesporte de 1964 e 1965 - revisão de Bob Sharp.
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