<%@LANGUAGE="VBSCRIPT" CODEPAGE="1252"%> Don Anisio Campos !

 


Véu de Noiva - O Automobilismo Brasileiro invade a TV em 1969

por Ricardo Machado, Sidney Cardoso e Anisio Campos

 

Essa história está aqui porque o ator Claudio Marzo - o "piloto-boa-pinta" Marcelo Montserrat -- que era dublado pelo Sidney "GT-40" Cardoso -- guiava o monoposto Fórmula Ford e isso fazia com que o grande parceiro Luiz Antonio Greco -- Diretor de Competições da Willys-Overland e da Ford -- estivesse sempre por lá....

 

Claudio Marzo era "Marcelo Montserrat" mas usava o macacão de piloto do Sidney "GT-40" Cardoso...

 

Sidney lembra: -  O personagem Marcelo Montserrat tinha um Puma VW amarelo, com três faixas pretas na frente, (que eu tinha comprado direto do Rino Malzoni -- criador do carro, junto com o Anisio Campos -- e depois o aluguei para ser o carro do galã da novela) e aconteceram muitas estórias engraçadas.... e tem uma que é  assim: nós havíamos feito uma filmagem na Lagoa Rodrigo de Freitas. Eu fiquei com esse Puma na contra-mão - seria o Marcelo Montserrat (Claudio Marzo) - e o José Maria Ferreira "Giu", com um fusca no cruzamento, ao lado da Igreja de vidro, seria o Luciano (Geraldo del Rey), que fazia o papel de um pianista. Os dois eram apaixonados por Andréa ( Regina Duarte). 

 

O Puma VW do Sidney Cardoso que era utilizado por Claudio Marzo na novela Véu de Noiva - 15/04/1969

 

Aí simulamos uma batida, o Diretor Daniel filho já havia trazido um fusca todo arrebentado de um depósito e após a simulação da batida, ele colocou papel celofane no párabrisas do fusca, filmou o Geraldo del Rey enfiando a mão no falso párabrisas, encheu-as de uma massa parecida com molho de tomate, filmou o drama dele chorando, dizendo que não poderia mais tocar piano...

 

Após, no estúdio, quebrou uma garrafa -- naquele tempo não havia estes sons de vidro quebrando pronto -- e inseriu o som dos nossos freios, quando demos cavalo de pau, fingindo que havíamos batido. Pois bem, a cena ficou tão perfeita que, quando foi ao ar, eu trabalhava no Colégio Arte e Instrução, e os alunos pequenos ficaram me questionando : -" Tio, eu vi seu carro batendo, ontem, na novela"! - "Você caiu com o Puma dentro da Lagoa"!  - "Como foi que o senhor conseguiu consertar ele nessa rapidez" ???

 

Expliquei a eles que aquela cena tinha sido gravada com dezoito dias de antecedência, que eu não havia caído na Lagoa, que havia uma rampa, que aquilo era truque. E veja o que é a força da novela, eles não acreditaram e, para não decepcioná-los mais, disse que o mecânico era muito bom e que passara a noite toda consertando o carro.... 

 

Ernayde Cardoso -- pai do Sidney -- conversando com Daniel Filho, Oswaldo Loureiro

e Antonio Carlos Scavone (que além de piloto foi apresentador do primeiro programa

sobre automobilismo na TV Paulista, Canal 5 - hoje Globo - em 1964 - valeu pela informação,

Fabio Farias !) antes da corrida III Mil Quilômetros da Guanabara - 1969

 

Para todos nós que éramos pilotos da época, assistir automobilismo ser assunto de novela era ótimo, onde juntamente com a quebra do recorde de velocidade do Carcará no Rio de Janeiro em 1966 e a ascensão do Emerson Fittipaldi na Europa, eram acontecimentos muito legais ...

 

Da esq. para direita: Câmera "RCA Television" da TV-Globo Canal 4 (um avanço para a época);

Claudio Marzo, Júlio - consultor técnico, José Augusto Branco, Oswaldo Loureiro

e Daniel Filho. Filmagem Valdir Braga.

 

 

 

NOVELA VÉU DE NOIVA

Título: Véu de noiva - 221capítulos

Horário: 20:00

Data de estréia: 10 de novembro de 1969 a 27 de junho de 1970

Canal do Programa: Rede Globo

Tipo de programa: Novela

Autoria: Janete Clair "Novela, o próprio nome já define: um novelo, que vai se desenrolando aos poucos."  

Direção: Daniel Filho

 

 

 

Clique na imagem do disco acima para ouvir o  TELETEMA

(quem lembra? foi quando apareceu a 'namoradinha do brasil'

e quem cantava era Regininha, mas essa versão é da Evinha)

 

rumo, estrada, curva
sou despedida
por entre lenços brancos de partida
em cada curva, sem ter vocë vou mais só

corro, rompendo laços,
abraços beijos,
em cada passo é vocë quem vejo
no telespaço
pousada em cores do além

brando, corpoceleste, metametade,
meu santuário minha eternidade,
iluminando meu caminho e fim.

dando a incerteza tão passageira
nós viveremos uma vida inteira
eternamente
somente os dois mais ninguém

eu vou de sol a sol
desfeito em cor
refeito em som
perfeito em tanto
amooooor'

 

 

Versão 1:

 

Sinopse: A história tem como ponto de partida um noivado desfeito no dia do casamento, quando Andréa descobre que o noivo, Luciano, está apaixonado por sua irmã, Flor. Esta por sua vez engravida de Luciano mas teme assumir a criança. Andréa assume o filho de sua irmã ao mesmo tempo que vê no corredor Marcelo Montserrat um novo motivo para amar. Anos depois, Flor descobre que não pode mais ter filhos e pede para Andréa que devolva o seu. A disputa começa.

 

Versão 2:

 

A história tinha como ponto de partida um noivado desfeito no dia do casamento, quando Andréa descobre que o noivo, Luciano, está apaixonado por sua irmã, Flor. Desiludida, foge de todos encontrando o verdadeiro amor nos braços de Marcelo Montserrat, um corredor de automóvel, às voltas com Irene, mulher irônica e despojada.

 

Flor descobre-se grávida de Luciano, mas não quer assumir o filho sozinha por vergonha de ser mãe solteira. Então resolve abandonar a criança, que ficou sob a guarda de Andréa. Algum tempo depois, Flor se casa com outro homem, que queria ter filhos. Ao ouvir a confirmação de um especialista de que não poderia mais ser mãe, ela resolve pedir o seu de volta. A partir deste momento, a novela começa a girar ao redor da disputa das duas irmãs.

 

- Com quem ficaria a criança ? Com a mãe adotiva ou com a mãe verdadeira, que a abandonara ?

 

Marcelo Montserrat (Claudio Marzo) e Irene (Betty Faria)

 

Ambientando novelas como "O Sheik de Agadir" (foto à esquerda do Henrique Martins e Yoná Magalhães) o mundo de castelos, masmorras, calabouços, galeões espanhóis da Sra. Magadan foi substituído por imagens de um Rio de Janeiro luminoso, casa de campo em Petrópolis, autódromos movimentados e pilotos charmosos...

 

Naquela época, haviam dois estilos de novela e todos se perguntavam qual era mais eficiente? As novelas da Globo davam mais audiência. As novelas da Tupi tinham mais prestígio. A Globo com o padrão velho estava dando audiência. Mas o padrão velho era utilizado em toda a sua possibilidade, porque era uma técnica dominada com facilidade.

 

Tratava-se apenas de produzir com competência. A Tupi, com o padrão novo na mão, mais dia menos dia transformaria prestígio em audiência de massa. De repente, com a novela Véu de noiva, a Globo se apropria do padrão narrativo da Tupi.  De repente, com a contratação de Gloria Magadan, a Tupi ambiciona se apropriar do padrão velho da Globo. A Globo foi buscar o padrão novo que estava dando prestígio à Tupi.

 

E a Globo ficou com prestígio e audiência, porque intuiu que estava descoberta uma forma nova, uma técnica narrativa nova que se imporia fatalmente.  Na virada da década 60/70, as novelas encontraram uma linguagem própria e tipicamente brasileira, utilizando todos os recursos da televisão.

 

Daniel Filho dirigindo tudo ...

 

O "estilo Gloria Magadan" - autora cubana famosa por seus dramalhões arrebatadores - foi perdendo espaço para temas e abordagens mais próximos da realidade brasileira. A virada aconteceu de vez em 1968, na TV Tupi, com Beto Rockfeller, a história de um trambiqueiro que se passava por milionário, escrita por Bráulio Pedroso, a partir da idéia de Cassiano Gabus Mendes e dirigida por Lima Duarte, mais tarde substituído por Valter Avancini.

 

Se destacavam Luiz Gustavo (como Beto Rockfeller), Bete Mendes (como sua namorada) e Irene Ravache (como sua irmã). A novela teve tanto sucesso com sua descontração e atualidade que anos depois fizeram sua continuação, com a trama "A Volta de Beto Rockfeller", que lançou até disco com a participação de Raul Seixas na música "Caroço de manga".

 

A novela usava um tom coloquial nos diálogos, deu espaço para os improvisos dos atores e centrou o foco num anti-herói: um mero funcionário de uma loja de calçados que se infiltra na alta sociedade.

 

Tudo isso fez Beto Rockfeller virar mania nacional. O protagonista, vivido por Luiz Gustavo, passava longe do galã convencional. Esperto e cheio de ginga, abusava do charme para se passar por milionário e manter as duas namoradas: a humilde Cida, vivida por Ana Rosa, e a ricaça Lu, interpretada por Débora Duarte. Naquele momento, era uma ousadia um personagem como esse.

O tom leve e brincalhão era realmente bem diferente das novelas produzidas na época - em geral adaptações de títulos de países latino-americanos ou folhetins romanescos. "Tudo o que se fazia até então era pautado pelo melodrama. Por isso, Beto Rockfeller foi um divisor de águas.

Influenciada pelo sucesso da novela "Beto Rockfeller", a direção da Rede Globo constatou que era hora de optar por tramas mais modernas e arejadas. Com isso, na mesma época que juntamente com a quebra do recorde de velocidade do Carcará no Rio de Janeiro em 1966 e que Emerson Fittipaldi despontava nas pistas de corrida, Janete Clair assumia sozinha a história da jovem humilde que se apaixona por um corredor de automóveis, dando adeus aos dramalhões supervisionados por Glória Magadan.

 

Hoje isso tudo pode parecer banal, mas em 1969 era moderníssimo !  A publicidade da época explicava o fato: "Em 'Véu de Noiva' tudo acontece como na vida real. A novela verdade". Acrescentava ainda um referência à estréia de Regina Duarte na TV Globo, em dupla com o ator Cláudio Marzo - à direita e Myriam Pérsia era Flor; Geraldo del Rey era Luciano - à esquerda. 

 

A inspiração veio de um anúncio publicado num jornal carioca: "Vende-se um Véu de Noiva" e ela havia sido escrita anteriormente pela própria Janete para a Rádio Nacional.

 

Naquela mesma época, Dias Gomes escrevia "Verão Vermelho" para o horário das dez. Nessa novela, Paulo Goulart era um médico que, acusado de charlatão, fugia da cidade em que morava. Enquanto isso, em "Véu de Noiva", Flor, personagem de Myrian Pérsia, descobria-se grávida de Luciano, mas não queria assumir o filho sozinha.

 

Então resolveu abandonar a criança, que ficou sob a guarda de Andréa. Algum tempo mais tarde, Flor se casava com outro homem, que queria ter filhos. Mas ela suspeitava que não podia mais engravidar devido a complicações no nascimento do primeiro filho. Incerta, procurava um médico que pudesse lhe dar a confirmação definitiva de sua esterilidade, em busca de um tratamento salvador. Betty Faria fez o papel de Irene (foto esquerda).

 

Foi assim que Dias Gomes e Janete Clair combinaram que as duas novelas se encontrariam, e escreveram capítulos de tal forma que, ao procurar o médico charlatão, Myrian Pérsia acabou aparecendo também na novela das dez. Ao ouvir a confirmação de que não poderia mais ter filhos, ela resolve pedir o seu de volta.

 

A partir deste momento, a novela começou a girar ao redor da disputa das duas irmãs. Com quem ficaria a criança? Com a mãe adotiva ou com a mãe verdadeira, que a abandonara.

 

A disputa de Regina Duarte e Myrian Pérsia pela guarda da criança começava a mobilizar o país. Na novela, o caso foi parar na justiça, e Daniel Filho, o diretor da trama, teve a idéia de realizar um julgamento de verdade em cena. Solicitou a um juiz de verdade que armasse um júri.

 

E os destinos da novela foram parar nas mãos do juiz. Ninguém, nem a autora, nem os atores e nem o próprio diretor sabiam por antecipação qual seria o resultado, o fim da novela. Para não perder a emoção, o julgamento foi gravado direto, sem ensaio. A tensão das atrizes era, portanto, totalmente real. Por fim, ganhou a mãe adotiva.

 

A novela, uma explosão de audiência no país, foi uma espécie de tiro no escuro, que deu muito certo. Nada era rigorosamente pré-definido, valia qualquer coisa para fazer da novela um grande sucesso.

 

O personagem interpretado por Myrian Pérsia dividiu as opiniões femininas das mulheres de 1969, que não se consideravam capazes de julgá-la, já que na época, ser mãe solteira era considerado desonra.

 

"Para falar a verdade, comecei a gostar de fazer novela com 'Véu de Noiva'", conta Daniel Filho em sua biografia "Antes que me Esqueçam".

 

O piloto escocês de Fórmula-1 Jackie Stewart, de passagem pelo Brasil, gravou uma participação especial na novela.

 

 

Elenco:

Ana Ariel

Betty Faria - Irene

Carlos Eduardo Dolabella - Armando

Cláudio Cavalcanti - Renato

Cláudio Marzo - Marcelo

Darlene Gloria - Leda

Djenane Machado - Maria Eduarda

Emiliano Queiroz

Geraldo del Rey - Luciano

Glauce Rocha

Gracinda Freire

Jorge Cherques

José Augusto Branco

Júlio César

Lourdinha Bittencourt

Lícia Magna

Mary Daniel

Milton Gonçalves

Myrian Pires

Myriam Pérsia - Flor

Neuza Amaral

Oswaldo Loureiro - Chico

Paulo Gonçalves

Paulo José - Zé Mário

Regina Duarte - Andréa

Roberto Argolo

Rogério Fróes

Suzana Faini

Zilka Salaberry - Tia Cora

Álvaro Aguiar

Ênio Santos

 

Trilha Nacional:

Tema de Luciano (Luiz Eça)

Tele tema (tema de amor) (Regininha)

Azimuth (Apolo VI)

Gente humilde (Márcia)

Depois da queda (Roberto Menescal)

Irene (Elis Regina)

Andréa (Joyce)

Azimuth (mil milhas) (Apolo VI)

Tele tema (tema de amor) (Regininha e Laércio)

Irene (Wilson das Neves)

Abertura (The Youngsters)

Tele tema (tema de amor) (Claudio Roditi)

 

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