Os Karmann-Ghia / Porsche - Dacon
na Revista Classic & Sports Cars - Fevereiro 2003
publicado no site do MG Club do Brasil
http://www.mgcbr.com.br/artigos/kg.htm

Recebemos mais uma carta do amigo e colaborador José Rodrigo Octávio do Rio de Janeiro. Nela, todos poderão sentir um gostinho das famosas provas do passado, revivendo junto com ele, um dos marcos do nosso automobilismo, o famoso Karmann-Ghia / Porsche - Dacon.
Ao José, os nossos agradecimentos pela sempre gentil colaboração com o site do MG Club do Brasil - e também à Obvio !. A seguir, transcrevemos o texto:
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Conforme já havia escrito antes naquele artigo sobre os Pumas, a revista Classic & Sports Car de Fevereiro de 2003, finalmente, chega as nossas bancas com o artigo sobre o K-G/P - Dacon escrito pelo Malcolm McKay. Naquele dia memorável nós estávamos no autódromo do Rio com um Malzoni, um Puma VW e o K-G/P Dacon, todos impecavelmente restaurados e gentilmente cedidos pelo nosso amigo Paulo Lomba para que o Malcolm pudesse provar um pouco das nossas receitas de automobilismo que até então eram desconhecidas para aquele jornalista inglês. |
O Malcolm gostou tanto que acabou escrevendo dois artigos, o primeiro sobre o Malzoni DKW e o Puma VW publicado na revista de julho de 2002, e agora um outro só sobre o Karman-Ghia / Porsche - Dacon, com um pouco da sua história e alguns fatos sobre sua construção, como a de que o Anisio Campos fez o molde para a carroceria de fibra de vidro a partir do carro da tia do José Carlos Pace, cujo molde reproduziu os amassados antigo daquele carro e foi essa "marca registrada" que levou Anisio a certificar que esse era o único e original sobrevivente dos quatro carros construídos.
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Estes dados foram pescados nos arquivos do Paulo Lomba, que também ofereceu sua coleção de revistas AutoEsporte e Quatro Rodas, todas encadernadas ano a ano, para que as fotos da época pudessem ser escaneadas e enviadas para a revista na Inglaterra via internet. O carro passou por vários donos e galpões até o dia que foi descoberto em Petrópolis aos cacos e pedaços pelo Vicente "Muca" von der Schulenburg, que iniciou o seu restauro e depois o vendeu para o Paulo, que, após dois anos de amadurecimento restaurou por completo, fazendo com que aquela velha casca de fibra de vidro retornasse à sua forma original, meio torta e mais ou menos mal acabada como tinha sido originalmente construída em 1965. |
As rodas originais "Kron Prinz" da Porsche de cinco furos com freios também Porsche que o carro tinha foram restauradas e nelas foram montados pneus com as mesmas medidas de 1965, os hoje ridículos 165X15 na dianteira e os enormes, para a época, 210/80X15 para a traseira.
Logo após o término da restauração, o carro foi apresentado aos amigos do Rio e de São Paulo, sempre que possível dentro de seu habitat natural que é uma pista de corridas.
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Numa destas apresentações - A Porsche-Day 2001, em Interlagos - Anisio Campos ficou olhando o carro sob todos os ângulos possíveis, e finalmente concluiu que aquela carroceria era de fato a verdadeira, pois havia um defeito na fibra causado pelo teto do Karmann-Ghia que serviu de molde para o projeto, e este tal carro era o carro da tia do Môco, que havia capotado e ficou com vincos internos que só mesmo o Anisio para saber aonde eram e certificar que estava diante do original ... Na sua primeira corrida em Interlagos, após a reaparição nas pistas, o K-G/P Dacon não fez feio. |
Apesar do motor 1.6 andou na frente de muitos carros maiores que ele, mas que não tinham a mesma boa receita usada pelo Paulo Goulart e sua turma naqueles gloriosos anos sessenta.
Alias, esta receita já era usada na Inglaterra pelo mago Colin Chapmann, que sabia que o melhor carro esporte tinha que ter uma boa relação peso potência, e foi isto que a Dacon buscou quando seu chefe resolveu fazer a carroceria em fibra de vidro.
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Emerson Fittipaldi, ao se reencontrar com o carro, ficou espantado com as finas medidas das rodas e pneus dianteiros, e confessou que não sabia como é que ele andava a mais de 200 km/h com aqueles carros, principalmente com os K-G/P Dacon que tinham o motor 904 Carrera de 2 litros... |
O Malcolm McKay, sem saber desta declaração do Emerson, escreve que ficou cansado após 10 voltas com os muitos barulhos, vibrações e tudo mais que um carro destes produz, e que imagina como que os pilotos da época se sentiam numa corrida de 1.000 milhas, afirmando então que nossos "loucos" Emersons, Marivaldos, Anisios, Paces, Lameirões, Wilsinhos e tantos outros eram verdadeiro heróis !!!
José Rodrigo Octavio



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