O início dos revolucionários anos `60 e a nova geração de pilotos Brasileiros O piloto Felipe Massa, paulista, 20 anos, é o representante de uma nova geração do Brasil que se prepara para estrear na Fórmula 1. Ele, como tantos meninos kartistas no País, foram estimulados pelo sucesso de Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna no Mundial: oito títulos de 1972 a 1991. Criou-se, assim, a cultura da Fórmula 1.
Mas enquanto Massa coloca o capacete e as luvas, uma outra geração de pilotos, menos famosa e mais antiga, assiste a tudo com orgulho. Bird Clemente, Luiz Pereira Bueno, Mário César de Camargo Filho, Jaime Silva, os exemplos são muitos, participaram, no início dos anos 60, da revolução estrutural no automobilismo brasileiro, responsável pelo surgimento da geração que exportou seu talento para a Europa, representada por Emerson Fittipaldi. Foi aí, a rigor, que começou a história de conquistas do Brasil nas pistas do mundo todo.
O que há em comum entre Felipe Massa e Bird Clemente, se um tem 20 anos e o outro, 64? Aparentemente nada, a não ser o gosto pela velocidade. Mas, ao regressar no tempo até 1961, 62 e alguns anos seguintes, um episódio explica em boa parte o fato de Massa ser hoje piloto da Sauber e estar prestes a poder manter a tradição de sucesso do País na Fórmula 1: o início da profissionalização do automobilismo. "O surgimento das equipes de fábrica, como Vemag, Willys, Simca e Alfa Romeo, criou uma outra mentalidade no Brasil", diz Clemente. "Fui procurado na minha casa pelo Luiz Antônio Greco, que trabalhava para a Willys, em 62", recorda Clemente. "Acredito que eu tenha sido o primeiro piloto no Brasil a receber salário de uma fábrica para correr com seus carros." A Willys passou a produzir no País alguns modelos da Renault : o Dauphine, o Gordini e a famosa Berlineta Interlagos, modelo principal da equipe de competição. A Berlineta era destinada apenas às "feras", caso de Clemente. Novatos como Emerson Fittipaldi e José Carlos Pace, o Moco, usavam o Gordini, os Malzoni-DKW - depois batizados de "Puma" e lançados no mercado - e os Karmann-Ghia / Porsche da Equipe Dacon. Outro acontecimento marcante e decisivo na formação daquela geração de pilotos foi a introdução no Brasil, em 61, de um carrinho equipado com motor de cortador de grama, que estava despertando a atenção de muita gente nos Estados Unidos: o kart, trazido para o País por Cláudio Daniel Rodrigues (veja mais sobre ele no "link" do Luis Pereira Bueno. "Comecei no kart, em que competi por três anos", lembra Wilson Fittipaldi Júnior. "Quem corria de carro no Brasil um pouco antes dessa época eram caras ricos e já com alguma idade, todos amadores", prossegue. "O kart, além de servir como excelente escola, formou uma geração jovem, com outra visão." As carreteiras, em geral modelos Ford e Chevrolet dos anos 30 e 40 bastante modificados, dominavam as pistas no País. "Com as equipes de fábrica, passamos a usar carros bem mais avançados, menores e mais baixos, mas, ao mesmo tempo, bem mais rápidos", conta Wilson. No vácuo desse avanço, chegaram, com o tempo, o capacete fechado, o macacão antichamas e, por incrível que possa parecer, o cinto de segurança, até então um desconhecido.
As categorias foram mais bem definidas e os calendários adequados à nova realidade. As carreteiras, carros que dominavam as pistas, começaram a ser ultrapassadas pelos DKWs, Dauphines, Gordinis e as incríveis Berlinetas Interlagos, cujo principal piloto, Bird Clemente, foi o primeiro a receber salário de uma fábrica Emerson Fittipaldi foi o principal representante dessa geração surgida na nova era do automobilismo brasileiro. Entre capotar com um Gordini nas corridas da Ilha do Fundão, no Rio em 66, na estréia como piloto de automóveis, e a conquista dos títulos de campeão inglês de Fórmula Ford e Fórmula 3, em 69, pouco tempo se passou. E demorou menos ainda para Emerson chegar à primeira vitória na Fórmula 1, no dia 4 de outubro de 70, nos Estados Unidos, e ao primeiro título mundial, em 72, pela Lotus. Entre tantos outros, a geração prodígio dos anos 60 produziu Emerson, que, por sua vez, serviu de modelo para Nelson Piquet, que orientou a turma de Ayrton Senna que, agora, é exemplo para Felipe Massa.
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